Desde o primeiro dia de aula na escola Érico Veríssimo venho reencontrando meus alunos do ano passado. Passamos um ano inteiro juntos, e nesse ano eu me dei conta da tamanha dependência que criei deles. Pode parecer uma grande bobagem, mas para mim é muito importante. Cada abraço e cada sorriso deles, cada um deles que reencontro... essas pequenas coisas me fazem perceber que para mim, para a Francieli, os alunos são por muitas vezes o refúgio e o aconchego do professor. Quando estabelecemos essa relação de afetividade com eles, quando se formam os laços, nesse momento somos mais dependentes deles do que eles de nós...
Minha maneira de conduzir as aulas tem que ser repensada, pois é claro que não estou lá para criar laços de amizade com os estudantes, sou a professora e preciso promover reflexões, preciso construir com eles um processo de aprendizagem, esse é meu papel na escola... A afetividade é construída junto com as aulas.Mas dessa afetividade não abro mão e não deixo de falar, pois é ela que torna a escola um lugar melhor para todos que ali passam todos os dias... E sem o amor eu nada seria.
Esse ano trabalharei com a turma 102, 1º ano do Ensino Médio. Como aconteceram em todos meus estágios, na primeira aula me apaixonei pela turma. Até senti medo de que com o passar do tempo as coisas mudassem. Por enquanto a minha primeira impressão se mantém. São alunos participativos, uma turma interessada, não preciso insistir para que participem das atividades propostas. Entre eles existe, ao meu ver, um respeito muito grande, talvez por já se conhecerem a mais tempo. A turma é bem variada, no que diz respeito à gênero, idade ou até mesmo gostos.
A partir da semana passada comecei a repensar meus planos de aula e encontrei um grande problema: Minha proposta era trabalhar a arte a partir da cultura cotidiana dos estudantes, mas o que eu estava fazendo era o contrário. Eu estava a beira de começar o desenvolvimento das aulas a partir da arte para relacionar ela com o cotidiano deles. Quando me dei conta disso, me apropriei de um questionário que distribuí à eles e em cima desse questionário estou montando novos planos de aula. A partir dos planos de aula eu irei buscar referenciais teóricos que possam dar conta das temáticas dessas aulas, para a partir disso elaborar um novo projeto. É arriscado, pode ser que não dê certo... mas eu acredito que dará certo, e como estou em um processo de aprendizado que é construído junto com meus alunos, eu irei tentar.
Por aqui finalizo esta postagem com a cabeça cheia de ideias, e os resultados serão postados aqui também. Até colegas.
Fran, te percebo sempre em meio ao dilema: ser 'amiga' ou ser 'professora'. Quantas Frans podem existir entre esses dois papéis, que são tão rígidos e datados? Quantas Frans existem aí dentro de ti para ir do amor ao ódio pelos alunos, pela profissão, pelas escola, pelos conteúdos e por tudo o mais? Se pudesse te dar um conselho seria: deslize mais por todas essas Frans, por todos esses papéis e não tente se fixar numa só. Não tente fixar um papel para ti mesma, nem na vida, nem na escola. Afinal, quando falamos de amor, falamos de amores... justamente de um 'contentamento descontente'. Abraços e bom trabalho!
ResponderExcluirObrigada Cris... Realmente estou nessa, mas acho que existem Frans demais pra eu dar conta... ehehehe. Admiro muito a maneira como nos conhece tão bem...
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