quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ana Cláudia - 5ª Aula - Coronel Pilar.

Começo aqui com um pequeno trecho do texto para a reunião de hoje a tarde, Dos restos, uma fabulação, da Paola Zordan.

"O que era mesmo que estava fazendo ali? (...) Qual era mesmo o valor daquela disciplina? Por que defendia como um tipo de conhecimento tão importante quanto os outros? O que era mesmo que conhecia? Qual era a importância de tudo o que sabia? Por que todo mundo fazia tão pouco caso do que acontecia em sua aula?"

Acredito que minhas indagações pessoais tem mexido mais comigo do que o andamento das aula, pois tudo parece ocorrer conforme o planejado, claro que nunca de maneira totalmente uniforme, mas não posso dizer que lido com problemas dentro da sala.

Mas não me sinto satisfeita. Não sei nem se essa seria a palavra correta, mas me sinto estranha, desconfortável com algumas coisas que ainda não descobri bem o que são. Tenho achado superficial alguns momentos, e passa justamente pela minha avaliação pessoal estar ocorrendo isso. Será que sou eu que não me deixo entender? O que está faltando, afinal? Senti isso em relação a aula de hoje, acho pouco... mesmo não sabendo muito bem o que é pouco e o que falta.

Será que falta só pra mim?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Luana : Segunda aula Maria Rocha

Olá pessoal.

Bom, como tinha postado na semana passada, minha primeira aula foi só a mediação da oficina do Concurso de Desenho.

Hoje foi a minha primeira aula referente aos planos de aula, ou seja, apenas hoje começei a conversar com os alunos sobre meu método de avaliação, os portfólios, os materias que precisaremos em algumas aulas e também do que iremos tratar nas próximas aulas.

Como o professor Cristian tinha sugerido que eu fizesse um "link" entre o meu projeto e o consurso de desenho feito na primeira aula, serei sincera: eu tentei, mas não consegui !!!
Aliás, na aula de hoje fiquei mais preocupada em saber o que os alunos já tinham aprendido nas outras aulas de Artes como objetivo do meu primeiro plano de aula, lançando 4 perguntas:

-  O que já aprendeu nas aulas de Artes?
-  Qual a proximidade da Arte com seu cotidiano?
-  O que você entende sobre "Artes Visuais"?
-  O que conhece ou já viu sobre Arte Contemporânea?

Para mim é muito importante saber o que eles já aprenderam, já viram, ouviram sobre as artes, pois só assim posso começar a adentrar nas questões e propostas do meu projeto, senão corro o risco de confundi-los, principalmente porque nos meus próximos planos de aula vou trabalhar com a artista contemporânea Vanessa Beecroft.

Pelas respostas, percebi que tiveram um ensino centrado na técnica e algumas partes de história da arte. Quando perguntei o que entendiam sobre as artes visuais, a maioria não soube responder, dizendo que "são as cores quentes e as cores frias" e também desconhecem sobre a arte contemporânea.

Por isso achei interessante trazer essas questões, porque a partir delas eu pôde perceber  o quanto é necessário contextualizar e aproximar os alunos das Artes Visuais, pois senão ficariam com a visão de formas geométricas, cores quentes e frias, perspectiva (não que isso não seja também relevante).

Como os períodos hoje foram reduzidos, só deu tempo deles responderem e conversarmos um pouco a partir das perguntas, ficou pendente para a próxima aula termos uma conversa mais esclarecedora com o auxílio de um texto sobre Artes Visuais e arte contemporânea.  A linguagem do texto é bem simplificada e resumida para que possam também ler em casa.

Para próxima aula então, depois da discussão do texto, começo a falar do projeto e relacionar o tema "Corpo-Imagem: A supremacia da Aparência" com as aulas de Artes Visuais, como, para quê e por que tratar deste assunto nas aulas de Artes!

Abraços,
Luana.




terça-feira, 10 de abril de 2012

5ª aula Rose, Coronel Pilar, turma de 3º ano, 311.


Hoje foi a 5ª aula na Escola Coronel Pilar com a turma 311, 3º ano do ensino médio.
Eu tinha preparado a aula com fragmentos do documentário “Lixo Extraordinário”, eu passaria o início até os 20 minutos, depois a partir de 54 minutos até 60 minutos. Considerei estas partes importantes, pois ali era explicado e mostrado como foi feito a coleta do material, bem como a obra de Vik Muniz com o auxílio dos catadores. Porém ocorreu um erro, eu tinha salvado o documentário no notebook, tinha testado em casa pra ver se abria e tava tudo certo, mas na hora de passar para a turma não abriu. Improviso, ”se virá nos 30” como diria o humorista Fausto Silva, (risos).
Então falei para eles sobre o documentário, quem tinha feito ele, sobre o artista, sobre os catadores, falei sobre o aterro que é o maior do mundo. Questionei-os sobre como separavam o lixo em suas casas, bem como o que faziam com produtos e utensílios que não desejavam mais.
Falamos sobre a reciclagem e a reutilização de materiais, que eram ações distintas.
Depois disso falei sobre pop art, sobre as embalagens que utilizavam a reprodução de imagens de e personagens da publicidade utilizadas pelos artistas da pop art. E igualmente perguntei que eles pensavam disso, tanto a questão do lixo e suas finalidades, sobre o uso do lixo para a arte.
Por fim, falei que levaria o documentário “Lixo Extraordinário” no próximo encontro, visto que eles acharam melhor do que olharem em casa ou numa lan house, alguns falaram que poucos em nenhum iria assistir de fato, e eles ficaram interessados em ver o vídeo. Quase todos sabiam quem era o artista e a obra devido à abertura da novela global “Passione”.
No final pedi que escrevessem sobre o que havia sido conversado na aula, questões a cerca do lixo, seu devido fim e sua utilização na arte.
Conversamos também sobre o que era feito com roupas, calçados, utensílios e até mobília, como eles faziam isso em suas casas. Eles comentaram que doam roupas, e o que não ocupam para pessoas que batem em suas casas pedindo. Alguns falaram que seguidamente alguém pede comida e eles igualmente dão.
Falamos um pouco sobre a vida dos catadores e  suas coletas pelas andanças da cidade em busca de materiais recicláveis para garantirem seus sustentos e de suas famílias.
Interessante que no pequeno texto que me entregaram, falaram sobre isso tudo, onde a maioria recicla lixo seco do orgânico e aproveitam o orgânico em suas hortas, mas alguns questionaram de separar e no final quando passa o caminhão do lixo carregam tudo junto. Poucos não separam o lixo.
Falando sobre a utilização do lixo na arte, eles comentaram e escreveram também que muita coisa pode ser feita com este material.
Falamos sobre as obras de Vik Muniz feito a partir de lixo e sucata.
Na próxima aula levarei o vídeo para mostrar alguns fragmentos e imagens das obras do Vik Muniz.
Vou procurar outros artistas que fazem uso do lixo para fazer arte

PS: as imagens e o vídeo postarei na próxima publicação já que nesta não pude mostrar nada para a turma.







domingo, 8 de abril de 2012

Aula turma 103 - Érico Veríssimo - Luise


Olá a todos!
Tive alguns contratempos com internet nesse feriadão e não consegui postar antes...
Bom, pensei que essa semana, retornaria com minhas aulas na quinta-feira, porém ainda não foi possível e tive que ir à escola na quarta -feira novamente. E pra ajudar, se já não bastasse os períodos serem de meia hora, o sinal tocou atrasado e o encontro com a turma acabou se resumindo em uns 15 minutos. Como eles não haviam trazido as imagens (pois pensaram que nossa aula seria na quinta) e com o tempo que nos restava não daria atempo de fazer uma nova busca, dialoguei com eles (rapidamente) sobre as imagens que dois estudantes tinham em mãos...Nesse ponto foi bom, pois senti a necessidade de problematizar melhor as imagens que vinham buscando. Questões como:"O que essa imagem fala de mim?" "O que esta imagem pode contar de mim?" começou a ser mais aprofundado....Acredito que semana que vem ainda terei que ir na quarta-feira e esse horário me inquieta, pois sinceramente é um tempo muito curto para trabalhar. (meia hora de aula, que na verdade se transformam em 20 ou 15 minutos) e mesmo que se pense em qualidade e não quantidade, esse tempo mínimo de contato com a turma é questionador, ao meu ver. Bom, a prof. Ana Cristina disse que ia tentar a troca novamente, aguardo com esperanças!

OBS.: Gostaria de deixar aqui algumas inquietações em relação ao blog. Peço que não me interpretem mal,  mas algumas questões tem me passado a mente. A finalidade do blog é para fazer relatos das aulas?? Se for esse o caso, então não entendo a avaliação do semestre passado em relação a isso, em que a grande maioria demonstrou um interesse em mudarmos o formato de diário (escrito em relatos)...Optamos (grupo e orientadores)  por formatos diferenciados, e mais reflexivo. Entendi que este ano daríamos continuidade a esse diário, porém, buscando outros formatos, claro. Mas então, se vamos continuar com o diário reflexivo, o qual teremos de apresentar em determinados momentos dos encontros, por que este outro? Digo outro, pois o blog tem me parecido um diário também e parece que estaremos fazendo duas vezes a mesma coisa. Peço desculpas, caso esteja equivocada, mas creio que esses questionamentos não pertencem apenas a mim, ao conversar com colegas percebi a mesma inquietação, então tomei a liberdade de escrever sobre o assunto. Sugiro talvez conversarmos melhor no encontro de quinta, para esclarecer dúvidas e etc...

Abraço a todos e bom final de semana!
Luise


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Jean Oliver - Relacionando....


        Entre leituras, encontros e desencontros, me deparei com um trecho de uma crônica de Martha Medeiros em seu novo livro “Doidas e Santas”, em que pude relacionar com meu projeto e com algumas ideias:

       “Para quem vive na opressiva e cinzenta São Paulo, a novidade atende pelo nome de Cow Parede, a exposição ao ar livre de 150 esculturas em forma de vaca, em tamanho natural, feitas de fibra de vidro e decoradas com muita cor e insanidade por artistas plásticos, diretores de arte, designers e cartunistas. Um nonsense mais que bem-vindo, uma intervenção no nosso olhar acostumado. Espalhadas por ruas, praças, nos lugares mais inesperados, lá estão elas, vacas enormes, vacas profanas, vacas insólitas. Para quê? Para nada de especial, apenas para espantar o tédio, inspirar loucuras, lembrar que as coisas não precisam ser sempre iguais. Havia uma vaca no meio do caminho, no meio do caminho havia uma vaca. É poesia também.”
(Fragmento da crônica “Veneno Antimonotonia” de 02 de outubro de 2005)



Com isso me deparo com questionamentos em função de meu projeto e planejamentos:
O que relamente quero com esse projeto? Que tipo de intervenção estou trabalhando? Que tipo mais de intervenção posso vir a trabalhar? Estou conseguindo realizar os planejamentos?

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Ana Cláudia - 4º Aula - Coronel Pilar

Chuva... chuva e mais chuva... Foi assim que começou o dia hoje... E a preocupação com a hora, o trânsito e a aula... na verdade preocupação em como seria a aula... Assunto inédito para mim também, a Body Art, na qual sempre contemplei um certo preconceito, e mesmo pesquisando, mudando de opinião e me assemelhando ao artistas do movimento, bateu uma certa insegurança.

Comecei a aula colocando em questão o que seria a Body Art. Montamos um mapa no quadro e a partir desse conceito, fomos montando esse mapeamento com outras palavras que fossem associadas a esse conceito. A primeira que surgiu, lógico, Arte no corpo. Depois surgiram outras como a tatuagem, piercing e até moda. No final conseguimos chegar a palavra Identidade. Falamos da questão de unidade, do que nos identifica e como usamos o corpo (nosso corpo) para nos expressar.

Depois dessa reflexão coletiva, contextualizei o que seria a Body Art, exemplificando com alguns artistas e imagens as obras desse movimento. Senti, que aos poucos, eles conseguiram entender e até se surpreender com muitos exemplos que conversamos. Depois dessa conversa, propus um trabalho em que o corpo seria nosso suporte. Como utilizarmos nosso corpo para criar arte?

A partir dai, conversei individualmente com eles, onde puderam expor algumas ideias, tirar dúvidas sobre como usar certos materiais e como manipular fotografias. Como a aula estava no final, muitos ficaram de trabalhar em casa, com as fotos, e na próxima aula interferirmos nessas imagens. Ainda ficou em falta alguns diários de alunos que ficaram de trazer pronto de casa e nada. Aguardo para a aula seguinte.

Penso muito em como usar todos esses temas que tenho no meu projeto para me auto avaliar. Como eu me vejo? Como será que os estudantes da turma 313 me vêem? Como posso eu, ser um instrumento para a educação? E como posso eu, sem ter qualquer pretenção irreal, ajudar a construir junto com eles sua aprendizagem? Nortear suas buscas por conhecimento? Como posso eu?

 
Por Olhos Atentos (1986), pelo artista Leonilson.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

'dos exercícios de me reinventar', por Cris



Deixo aqui registrado o quanto tem sido rico para mim este espaço. Acompanhar o trabalho de vocês acontecendo, por diferentes perspectivas e frentes de trabalho, poder pensar coisas para minha própria formação a partir da formação de vocês tem sido no mínimo muito interessante.
Acho que ganharíamos muito se cada um de vocês fizesse mais comentários e questionamentos acerca das postagens dos colegas, interagissem mais entre si.
Penso o blog não somente como um espaço de registro, muito menos de 'controle'. É um espaço para nos reinventarmos a partir da escrita, para pensarmos em nossa formação ao mesmo tempo que nos constituímos professores. Sendo assim, termino este post com um pequeno texto que escrevi há algum tempo atrás, o qual me lembra muito a forma como vejo a formação, a docência e (por que não?) a própria escrita que temos aqui exercitado.

"O tempo é uma ilusão. O que nos perpassa são ciclos que vêm e vão, experiências. Marcas que possibilitam dobras, espectros de ser e de reinventar-se. No exercício que me possibilito, encontro tonalidades graves e brechas de eternas possibilidades. Conheço-me melhor, entendo que nada é ao acaso, mas os acasos são inúmeros.
E como pode ser viver e não deixar-se transformar? Mesmo que a incerteza se instaure enquanto possibilidade de olhar além, o melhor nesse momento está sendo entender que nada perdura na ilusão do correr das horas, mas um segundo pode ser pra sempre se assim eu o quiser".

abraços e bom trabalho a tod@s!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Luana Primeira aula - Maria Rocha

Olá!!

Sei que estou um pouco atrasada aí nas postagens, mas isto aconteceu devido algumas alterações de horários na Escola Maria Rocha, pelo fato de terem feito paralisação no mês de março, portanto isso afetou a parte dos Estagiários em função de turma, pois só na quarta-feira passada dia 28/3 na reunião (que eu compareci) fixaram os dias e hora para que pudéssemos começar o estágio com uma turma fixa!

Com isso, só comecei o estágio hoje, apesar de comparecer à escola nas reuniões em que os professores, supervisores, etc, discutiam situações de como organizar o currículo por áreas e trabalhar a partir de temas com os projetos de trabalho.

 Foi muito enriquecedor participar dessas reuniões, ter contato com professores de outras disciplinas e assim também discutir um pouco sobre o meu projeto de estágio com eles.

 Hoje comecei o estágio, com uma turma de primeiro ano do Ensino Médio, nos apresentamos uns aos outros, mas não consegui iniciar com os planos de aula, pois a professora titular sugeriu que os alunos fizessem o XXXIII Concurso Municipal de Literatura e Artes, onde é pedido que os alunos desenhem um trecho ou um poema de algum clássico da Literatura Brasileira, e o desenho mais elaborado e criativo, ganha 50% de desconto no ToTem e no Toteen. Então iniciei hoje com os alunos na mediação desses desenhos, orientando como se fosse uma oficina, dando dicas formais e de composição, como luz e sombra, diversidade de grafismos, planos e profundidade.

Quanto a turma eu achei os alunos participativos, interessados e não estranharam minha "nova" presença na sala de aula, já vieram conversando e pedindo "ajuda profe..." para desenhar! Foram muito receptivos, o que me    deixou mais calma e segura quanto minha função de estagiária. Ufaaa!

Aproveitei a oficina para o Concurso e já conversamos um pouco sobre a linguagem do desenho. Perguntei o que significa para eles o "desenhar bem"?   Essa pergunta foi apenas para desmentir esse jargão que temos que desenho bom é aquele que representa igualmente e fielmente a realidade. Assim fomos conversando sobre os vários tipos de desenhos que tem contato no dia-a-dia e o que acham da sua representação.

Finalizando, a primeira aula foi só uma mediação do Desenho em função do Concurso proposto à escola em função do prêmio do cursinho Totem. Na próxima terça-feira começo com os planos de aula.

É isso, boa semana!!!

Abraços, Luana.




Adaptar-se... Adaptando-me... Adaptando-os. - Reflexões após duas semanas de aulas - Francieli


NÃO VOU ME APTAR - NANDO REIS

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia

Será que eu falei o que ninguém dizia,
Será que eu escutei o que ninguém dizia,
Eu não vou me adaptar, me adaptar

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava desse tamanho...

Será que eu falei o que ninguém dizia,
Será que eu ouvi o que ninguém ouvia,
Eu não vou me adaptar, me adaptar


Trago a letra dessa música pois relaciono ela com muitas coisas na minha vida, entre elas o meu percurso dentro da docência. A escola cheia de suas regras e conteúdos, aquelas grades e os olhares estranhos dos outros professores, tudo isso me faz me sentir uma estranha lá dentro. As vezes, em aula volto a sentir aquela sensação de ser aluno, e essa sensação é tão boa. Mas logo volto a mim, e visto a minha fantasia de professor, mas as vezes sinto que tudo lá dentro está errado e que a escola é um grande circo de farsas. E aí defendo a temática do meu projeto. Eu não acredito em um ensino que não se relacione com a vida dos estudantes. Eu não acredito na figura do professor como um ser supremo, que jamais comete erros, que não se alimenta ou não vê televisão... O professor que não fala palavrões, ou que não se revolta com muitas coisas. Eu não acredito nas portas e grades da escola. Não acredito no professor como um sujeito que nasceu adulto... não teve infância e não teve adolescência...

"Os alunos apresentaram resistência". Que resistência é essa? Será que são eles que não se adaptam à escola, ou é a escola que não se adapta à eles? Na semana passada uma professora da escola me chamou a atenção pelos alunos terem saído da sala de aula quando a minha aula acabou e eu não ter "impedido". Acho que terei problemas com ela, por que eu parto do princípio de que o aluno não é obrigado à ficar na aula se não quer. A minha porta fica aberta para quem não quer a aula, sempre. Até hoje nenhum dos alunos saiu. Então, posso estar errada, mas algo não está agradando na aula dessa professora. Desculpem, mas não ando com algemas para grudar os alunos nas classes... Posso estar sendo radical demais. Aceito críticas nesse ponto... Construtivas por favor, mas essa sou eu... pelo menos enquanto eu ainda reconheço o meu rosto no espelho.

Com esse pensamento lancei meu próprio desafio, partir do cotidiano dos estudantes para levantar questões referentes às artes visuais. As 3 aulas que tive com a turma 102 funcionaram como um campo de pesquisa onde tentei me aproximar deles, conhecê-los melhor. Foi um período de reconhecimento da turma, que eu julguei importante, pois o meu projeto diz respeito à cultura do cotidiano desses estudantes, e sem conhecê-los é difícil encontrar um ponto de partida.

A partir disso na aula anterior propus que escolhessem um objeto de uso cotidiano de cada um, o qual dissesse algo acerca deles. A partir disso solicitei que escrevessem em seus diários de ideias o por que da escolha desse objeto, e o que ele diz de cada um. Em seguida propus que pegassem esse objeto e desconstruíssem a imagem dele, fazendo um desenho a partir do qual o objeto inicial ficasse irreconhecível. Nesse momento introduzi através de um texto, a questão da arte abstrata e a diferença entre ela e o naturalismo. A presentei também artistas como Kandinsky, Paul Klee, Manabu Mabe, Piet Mondrian, Kazimir Malevich e Tomie Ohtake.

Fui apressada demais e acabei atropelando as coisas... Tenho que ter mais calma...

A turma partiu logo para o desenho, e foi uma dificuldade. Alguns faziam desenhos extremamente figurativos, e minha intenção era aproximá-los do abstracionismo. Quando percebi isso, fui ao quadro e solicitei que olhassem as obras que estavam no texto. Questione-os se conseguiam identificar o que aquelas imagens representavam. Alguns disseram que em alguma sobras reconheciam: -É uma árvore. -É um rosto. Então falei que a arte abstrata por muitas vezes fazia com que a imagem apresentada fosse irreconhecível, e que era isso que eu queria que eles fizessem ao representar seus objetos.

Na próxima aula eles apresentarão os desenhos aos colegas que tentarão identificar o objeto não apenas pelo desenho mas pelo que conhecem do outro. A intenção é que pelo desenho o objeto seja irreconhecível, que o que faça com que eles identifiquem esse objeto seja a convivência e o conhecimento que um tem sobre o outro. Estou ansiosa para ver se vai funcionar. Solicitei que lessem o texto em casa, mas embora sejam muito dedicados, acredito que não irão ler, por isso faremos isso na próxima aula.

Estou em um In-Yang comigo mesma. Por um lado estou feliz por estar começando a por em prática o meu projeto da forma como me proponho: partindo dos estudantes, e por outro estou triste pois ainda não consegui superar essa minha mania de atropelar tudo...

Abraços e boa Páscoa à todos!!!

Ana Cláudia - 3º Aula - Coronel Pilar

Com essa terceira aula acabo por finalizar o plano de aula 1 do projeto. Voltando para a avaliação deste plano, penso que consegui alcançar o planejado, sendo que fiz com que os alunos pensassem sobre a tecnologia e como a usamos nos dias de hoje. Também foi possível uma reflexão sobre os diários virtuais e a forma que iremos construir o diário visual, onde cada um relatará seus anseios e reflexões pessoais.
Nessa última aula começamos a dar forma a esse diário, onde eles puderam escolher que materiais usar, cores, imagens e fotografias. Nem todos levaram o que foi pedido, então muitos ficaram de montar em casa a capa de seu diário para a próxima aula.
Me vejo ainda muito presa a descrição dessas aulas, relatando aqui de forma muito pontual o que acontece dentro da sala de aula e não como isso reflete na minha formação. É nisso que quero pensar agora, em como me desligar do "formato antigo" dos nossos diários de aula (como já conseugi semestre passado), mas parece que a falta de prática nos faz andar uns passos para trás.
Estou sentindo batante diferente no tempo das aulas, sendo 45 min, passa tão rápido que nem vejo... É um questionamento meu que devo procurar encontrar a melhor forma de contornar.
Fico sempre ansiosa para a próxima aula, as vezes até querendo que chegue logo para saber como vai ser. Pouco tempo.... Como lidar?