sábado, 16 de junho de 2012


Que pele habitamos no Pibid artes visuais da UFSM?

Olá a tod@s,

Para esta quinta-feira dia 14/06/2012 nossa proposta com o grupo do PIBID era discutir o filme “A pele que habito” (2011) de Pedro Almodóvar a partir da questão:

Que/quais relações podemos estabelecer entre o filme visto e a docência?

A continuação a perspectiva do grupo...

“A pele que habito ou as peles que habito? Que pele(s) habitamos no decorrer da nossa vida? De qual nos apossamos e qual rejeitamos? Ser professor como uma pele que, no momento, vestimos, moramos, utilizamos... mas e aí, será que respiro de fato nessa pele? Que pele professor é essa que hoje habito? Me constituo naquilo que acredito ou me deixo ‘moldar’ pelas crenças e expectativas dos outros? E quanto aos estudantes... será que construímos peles prontas para serem vestidas, como há muito se faz ou tentamos que desabitem as peles já viciadas, carregadas de conceitos e discursos pré-estabelecidas para então habitarem outras peles? E a escola? A escola espera que essa ‘roupagem’ seja vestida por todos. E nós, que peles queremos, afinal, habitar? (Luise Aranha)

“Uma das questões que percebi no filme relaciona-se à resistência do personagem que sofre a transformação (mudança de sexo). Ele buscou na arte e na yoga a preservação de sua vida interior. A docência é transformação e adaptação. Nesse processo é necessário buscar o próprio eixo, como garantia de saúde, apesar das adversidades do meio” – El arte es garantía de salud. (Gliciane Schuster)

“Acredito que uma das relações é a forma como o médico (Antonio Banderas) se envolve com a profissão. Essa ânsia de procurar ‘outras formas’ para tentar soluções, resoluções e conclusões para os questionamentos que surgem. Partindo disso, mostra como ele mistura a vida pessoal dele com a vida profissional. Penso que, como docente em formação, muitas vezes vivemos esses extremos de envolvimentos e abalos”. (Ana Claudia Barin)

“Faço a relação com a docência a partir de uma cena em que o cirurgião aparece fazendo amarrações em um bonsai. Ele me passa a idéia de ser alguém que gosta de ‘aprisionar’ as coisas, as pessoas, de podá-las, para que não cresçam/sejam como realmente seriam. Penso que algumas vezes, em sala de aula, se houver falta de cuidado, podemos deixar de dar voz a algumas questões, em favor de outras, fazendo ‘podas’ à nossa maneira. Também vejo que a docência é uma forma de ‘experimentarmos’ assim como o cirurgião fez com Vicente”. (Karina Silveira)

“Percebo no filme com relação a docência a ‘experiência’, o filme se desenrola a partir de uma experiência (mudança de sexo). A partir desta, outras vivências são apresentadas até se inverter totalmente as ideias que o filme provoca inicialmente. Observo estas palavras: experiência – resistência – mudança, muito presentes tanto no filme como na docência”. (Florence Endres Chechi)

“Percebo que os filmes de Almodóvar fazem referência a terror. Porém um terror que não remete a sangue, morte, massacre. Se trata de um terror psicológico. Estabeleço relação com a docência no sentido de que a cada planejamento, a cada pisada na sala de aula nos traz um sentimento de ansiedade e muitas vezes uma angústia, um medo, pela importância do papel que desempenhamos”. (Deise Pegoraro)  

“O aluno como molde da escola. O aluno modelado pela escola. O corpo moldado pelo cirurgião plástico. O corpo supervisionado. O corpo preso”. (Rafael Aranha)

“Mudar, construir, reconstruir. Qual é a minha pele? Qual é a minha roupa? Posso ser ‘eu’ ou às vezes tenho que me moldar”? (Maria Tereza Barichello)

“Com o filme destaquei diversas relações com acontecimentos e possibilidades vivenciadas em sala de aula, bem como relações com algumas temáticas como gênero, questões do corpo, mudança de sexo, hetero, homo, família, afeto, ética, etc. Ainda pensando em questões de identidade e subjetividade com o processo de transformação do rapaz em Vera e do deslocamento de realidades sofrido por ele penso que como docentes também passamos por processos de construção e desconstrução com conflitos de adaptação a diferentes realidades”. (Jean Oliver Linck)

“Por que temos tanta necessidade de repetir aquilo que deu certo? Seria por medo do desconhecido ou pela segurança do conhecido? Por que apostamos no decalque em vez do mapa?” (Marilda Oliveira de Oliveira)

“Nos definimos por características externas? Quais limites estamos dispostos a ultrapassar? Quais sacrifícios em relação a beleza e a docência estamos dispostos a fazer e estamos dispostos a agüentar?” (Priscila Cardoso)

“Construção/desconstrução – Tempo/paciência” (Carina Plein)

“A relação está na questão tanto da nossa formação como professores como na formação que a escola almeja dar aos estudantes. Por mais que sejamos moldados, modificados por interferências externas, nossa essência não muda. Ainda que troquemos nossa identidade, nossa vida, nossos sonhos e desejos continuam em nós. Dessa forma relaciono o filme com a docência, pelo fato de que não é possível moldar a essência de ninguém por mais interferências que sejam feitas, as questões próprias de cada um permanecem latentes”. (Francieli Backes)

“Questões de querer transformar...espaço determinado, sem muitas opções. O quarto da Vera e a sala de aula” (Ana Cristina Paz)

“Relaciono no sentido de, apesar de estar professora diante dos estudantes, com tudo o que isso significa para todos, sou uma pessoa com sentimentos, frustrações, dúvidas...habito uma pele de professora. Como ser ética na profissão?” (Nairaci Fernandes)

“Não podemos e nem temos o poder de transformar. No filme, o médico cirurgião transforma, com o auxílio da ciência, um homem em mulher. Mas, ele continua sendo homem interiormente. As mudanças precisam ser naturais e espontâneas. Quem irá sofrer as mudanças precisa desejar. Nós enquanto meros futuros professores não temos nem direito, nem poder de transformar ninguém”. (Rose Wegner)

“Faço relação com as experiências de transformar-se, de irmos nos modificando a cada semestre, a cada reflexão, redesenhando nossa forma de agir na constante prática educativa. De acordo com o projeto de ensino e pesquisa e como vamos também dando um outro formato a cada leitura feita, a cada livro lido. É essa a relação que faço, modificar-se, dar uma outra face para aquilo que, às vezes, parece estar desfigurando”. (Luana Cassol)

Valeu grupo pela participação!
Obrigada,
marilda

2 comentários:

  1. Quantas peles possíveis!
    Adorei as múltiplas interpretações.

    abraços,

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  2. Foi muito construtiva essa tarde, como podemos destacar pontos de vistas diferentes! Abs Jean Oliver

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