Que pele habitamos no
Pibid artes visuais da UFSM?
Olá a
tod@s,
Para esta
quinta-feira dia 14/06/2012 nossa proposta com o grupo do PIBID era discutir o
filme “A pele que habito” (2011) de Pedro Almodóvar a partir da questão:
Que/quais relações podemos
estabelecer entre o filme visto e a docência?
A continuação
a perspectiva do grupo...
“A pele que habito ou as peles que habito? Que pele(s)
habitamos no decorrer da nossa vida? De qual nos apossamos e qual rejeitamos?
Ser professor como uma pele que, no momento, vestimos, moramos, utilizamos... mas
e aí, será que respiro de fato nessa
pele? Que pele professor é essa que hoje habito? Me constituo naquilo que
acredito ou me deixo ‘moldar’ pelas crenças e expectativas dos outros? E quanto
aos estudantes... será que construímos peles prontas para serem vestidas, como
há muito se faz ou tentamos que desabitem as peles já viciadas, carregadas de
conceitos e discursos pré-estabelecidas para então habitarem outras peles? E a
escola? A escola espera que essa ‘roupagem’ seja vestida por todos. E nós, que
peles queremos, afinal, habitar? (Luise Aranha)
“Uma das questões que percebi no filme relaciona-se à
resistência do personagem que sofre a transformação (mudança de sexo). Ele
buscou na arte e na yoga a preservação de sua vida interior. A docência é
transformação e adaptação. Nesse processo é necessário buscar o próprio eixo,
como garantia de saúde, apesar das adversidades do meio” – El arte es garantía de
salud. (Gliciane Schuster)
“Acredito que uma das relações é a forma como o médico
(Antonio Banderas) se envolve com a profissão. Essa ânsia de procurar ‘outras
formas’ para tentar soluções, resoluções e conclusões para os questionamentos
que surgem. Partindo disso, mostra como ele mistura a vida pessoal dele com a
vida profissional. Penso que, como docente em formação, muitas vezes vivemos
esses extremos de envolvimentos e abalos”. (Ana Claudia Barin)
“Faço a relação com a docência a partir de uma cena em que
o cirurgião aparece fazendo amarrações em um bonsai. Ele me passa a idéia de
ser alguém que gosta de ‘aprisionar’ as coisas, as pessoas, de podá-las, para
que não cresçam/sejam como realmente seriam. Penso que algumas vezes, em sala
de aula, se houver falta de cuidado, podemos deixar de dar voz a algumas questões,
em favor de outras, fazendo ‘podas’ à nossa maneira. Também vejo que a docência
é uma forma de ‘experimentarmos’ assim como o cirurgião fez com Vicente”. (Karina
Silveira)
“Percebo no filme com relação a docência a ‘experiência’,
o filme se desenrola a partir de uma experiência (mudança de sexo). A partir
desta, outras vivências são apresentadas até se inverter totalmente as ideias
que o filme provoca inicialmente. Observo estas palavras: experiência –
resistência – mudança, muito presentes tanto no filme como na docência”. (Florence
Endres Chechi)
“Percebo que os filmes de Almodóvar fazem referência a
terror. Porém um terror que não remete a sangue, morte, massacre. Se trata de um
terror psicológico. Estabeleço relação com a docência no sentido de que a cada
planejamento, a cada pisada na sala de aula nos traz um sentimento de ansiedade
e muitas vezes uma angústia, um medo, pela importância do papel que
desempenhamos”. (Deise Pegoraro)
“O aluno como molde da escola. O aluno modelado pela
escola. O corpo moldado pelo cirurgião plástico. O corpo supervisionado. O
corpo preso”. (Rafael Aranha)
“Mudar, construir, reconstruir. Qual é a minha pele? Qual é
a minha roupa? Posso ser ‘eu’ ou às vezes tenho que me moldar”? (Maria Tereza
Barichello)
“Com o filme destaquei diversas relações com
acontecimentos e possibilidades vivenciadas em sala de aula, bem como relações
com algumas temáticas como gênero, questões do corpo, mudança de sexo, hetero,
homo, família, afeto, ética, etc. Ainda pensando em questões de identidade e
subjetividade com o processo de transformação do rapaz em Vera e do deslocamento
de realidades sofrido por ele penso que como docentes também passamos por
processos de construção e desconstrução com conflitos de adaptação a diferentes
realidades”. (Jean Oliver Linck)
“Por que temos tanta necessidade de repetir aquilo que deu
certo? Seria por medo do desconhecido ou pela segurança do conhecido? Por que
apostamos no decalque em vez do mapa?” (Marilda Oliveira de Oliveira)
“Nos definimos por características externas? Quais limites
estamos dispostos a ultrapassar? Quais sacrifícios em relação a beleza e a docência
estamos dispostos a fazer e estamos dispostos a agüentar?” (Priscila Cardoso)
“Construção/desconstrução – Tempo/paciência” (Carina
Plein)
“A relação está na questão tanto da nossa formação como
professores como na formação que a escola almeja dar aos estudantes. Por mais
que sejamos moldados, modificados por interferências externas, nossa essência não
muda. Ainda que troquemos nossa identidade, nossa vida, nossos sonhos e desejos
continuam em nós. Dessa
forma relaciono o filme com a docência, pelo fato de que não é possível moldar
a essência de ninguém por mais interferências que sejam feitas, as questões próprias
de cada um permanecem latentes”. (Francieli Backes)
“Questões de querer transformar...espaço determinado, sem
muitas opções. O quarto da Vera e a sala de aula” (Ana Cristina Paz)
“Relaciono no sentido de, apesar de estar professora
diante dos estudantes, com tudo o que isso significa para todos, sou uma pessoa
com sentimentos, frustrações, dúvidas...habito uma pele de professora. Como ser
ética na profissão?” (Nairaci Fernandes)
“Não podemos e nem temos o poder de transformar. No filme,
o médico cirurgião transforma, com o auxílio da ciência, um homem em mulher. Mas , ele
continua sendo homem interiormente. As mudanças precisam ser naturais e espontâneas.
Quem irá sofrer as mudanças precisa desejar. Nós enquanto meros futuros
professores não temos nem direito, nem poder de transformar ninguém”. (Rose
Wegner)
“Faço relação com as experiências de transformar-se, de
irmos nos modificando a cada semestre, a cada reflexão, redesenhando nossa
forma de agir na constante prática educativa. De acordo com o projeto de ensino
e pesquisa e como vamos também dando um outro formato a cada leitura feita, a
cada livro lido. É essa a relação que faço, modificar-se, dar uma outra face
para aquilo que, às vezes, parece estar desfigurando”. (Luana Cassol)
Valeu grupo pela participação!
Obrigada,
marilda
Quantas peles possíveis!
ResponderExcluirAdorei as múltiplas interpretações.
abraços,
Foi muito construtiva essa tarde, como podemos destacar pontos de vistas diferentes! Abs Jean Oliver
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